


Se assumir não é uma parada fácil, sabe?! No meu caso pelo menos foi bom de certo modo, minha família sabe que namoro uma garota, as perguntas de ”Cadê o namoradinho?” simplesmente desapareceram, graças a Deus, mas não muda muita coisa não sabe. Se eu tivesse um namorado ele poderia vir na minha casa sem medo do que meu pai diria, eu poderia dar as mãos a ele, ele seria convidado para os almoços de família, mas como tenho uma namorada tudo se complica. Ela só vem na minha casa quando meu pai não está, ”para evitar problemas” é o que minha mãe me diz. Eu só posso dar as mãos a ela fora do meu bairro porque minha família tem medo do que os ”amigos” vão dizer, e beijar? HAHAHAHA risadas eternas. Dentro de casa, numa roda de amigos, no escurinho do cinema… agora em público? Aquele selinho de ”oi” e aquele beijinho de ”tchau”? Aí complica a história. Nunca tive vergonha de sair por aí de mãos dadas com ela, de beijar, abraçar, apertar e amar a minha namorada em qualquer lugar que seja, mas sei bem que tudo tem seus limites, até porque esses limites já foram bem impostos a todos nós de forma bem bruta. Já sofri preconceito sim, na escola, na rua, no trabalho, mas pior de todos é dentro de casa. Eu queria ter uma vida de casal sem problemas, queria que ela frequentasse minha casa e jantasse com meu pai e minha mãe, queria que nos almoços de família minha vó dissesse que podia chama-la, queria que minhas tias e primos tivessem o prazer de rir das piadas sem graça que ela conta, queria que minha família visse a pessoa maravilhosa que ela é e o quanto eu sou feliz de tê-la ao meu lado. Mas não, acho que nunca irei poder ter isso, natal, aniversário, páscoa, e essas datas que a família costuma se reunir, sempre será assim, sempre terei que escolher. Minha família jamais vai saber dos sacríficios que essa garota fez por mim, jamais vão poder ver a graça que é poder conviver com ela. Doí saber disso, afinal, família é um dos bens mais precisos do mundo e eu amo a minha demais, minha linda e pequena família. Pena que pra construir uma família ao lado da mulher que amo eu tenha que abrir mão de certas coisas com minha. Mas a esperança não morre, quem sabe um dia eu não venha contar a vocês sobre o primeiro almoço dela com minha família? Sonhar ainda é de graça e sempre fui boa nisso! (Malena Costa)